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segunda-feira, 7 de julho de 2008

PORTO É EXEMPLO A SEGUIR

Josué, Araújo, Nildo e Marquinhos Caruaru são exemplos de atletas que surgiram no Ninho do Gavião, o CT do Porto, a melhor “fábrica” de atletas de Pernambuco. É a boa estrutura do clube de Caruaru – que atrai meninos de outros Estados e desperta a inveja de torcedores dos três grandes times do Recife

MATÉRIA DO JORNAL DO COMMERCIO 02/07/2008

Entre os companheiros de clube, ele é chamado de Felipe, devido à semelhança com o goleiro do Corinthians – apesar de seu ídolo ser Júlio César, da seleção brasileira e da Internazionale de Milão. Laílton Santos Lages, 15 anos, maranhense de Santa Inês (a 250 km da capital São Luís), é um dos muitos garotos que ralam diariamente nos treinamentos para tentar um futuro no futebol via Porto de Caruaru. “A gente deixa tudo de lado e vem pensando apenas em vencer, tendo Deus como guia e acreditando que a recompensa virá depois. Às vezes dá vontade de ir para casa e largar tudo, mas quando entro no CT para treinar as forças se renovam”, diz Laílton, que passou seis meses no Náutico antes de parar no time caruaruense, que conquistou o rótulo de grande revelador de jogadores pela estrutura e investimento nas categorias de base.
Nomes como Josué (da seleção brasileira e do Wolfsburg, da Alemanha), Araújo (ex-Cruzeiro, Goiás e hoje no futebol do Catar), Nildo (ex-Sport, Náutico, Santa Cruz) e Marquinhos Caruaru (com passagens por Goiás, Palmeiras e Santa Cruz), são alguns exemplos de atletas que desabrocharam para o futebol no Ninho do Gavião, Centro de Treinamento do Porto, a melhor “fábrica” de atletas de Pernambuco. Nos seus 20 hectares, o CT oferece três campos oficiais, dois minicampos, salas de projeção, de musculação, departamento médico, dois vestiários (um para os profissionais e outro à disposição da base), fora três açudes que garantem o abastecimento d’água. Sem dispor de uma estrutura como esta, fica fácil entender porque Sport, Náutico e Santa Cruz, vira e mexe, adquirem jogadores do Porto para preencherem seus elencos.
O Sport, que somente este ano adquiriu um terreno em Igarassu para construir o seu CT – mas que, segundo o próprio presidente Milton Bivar, será preciso um investimento de cerca de R$ 3,5 milhões para viabilizá-lo – conta com o lateral/volante Diogo e recentemente contratou o jovem atacante Joélson. Já o Náutico, que leva vantagem em relação ao Leão, porque já tem em funcionamento o CT Wilson Campos, na Guabiraba, – que precisa, entretanto, de melhorias na sua infra-estrutura – teve lucro ano passado com a venda de Elicarlos para o Cruzeiro, já que possuía uma parceria com o Porto em relação aos direitos federativos do volante. Já o Santa Cruz, que devido ao mau momento, tem outras prioridades para resolver antes de pensar em modernizar as condições de trabalho do CT de Dois Unidos, contratou do Gavião os zagueiros Gonçalves e Stanley e o meia Juninho para a disputa da Série C.
“Não tínhamos receita para manter um time de futebol com contratações. Por isso resolvemos investir na fabricação de atletas para manter o clube e, obviamente, gerar lucro em negociações futuras e tocar o negócio para frente. O nosso próximo passo é construir um alojamento e mais um campo oficial aqui no Ninho do Gavião”, afirma o presidente do Porto, José Porfírio de Oliveira. Vale a pena lembrar que o tricolor de Caruaru é o atual campeão do Estadual de Juniores e aplicou uma sonora goleada de 7x2 no Sport, na Ilha do Retiro.
Atualmente, os garotos das divisões de base do Porto ficam alojados na Casa do Atleta, no centro de Caruaru. A concentração tem capacidade para abrigar 56 jogadores. Os atletas da equipe júnior têm alguns privilégios, como dividir o quarto com apenas um companheiro. Já os do infantil e juvenil dormem em beliches, já que os dormitórios abrigam mais meninos. Todos os ambientes possuem ventilador. No entanto, o presidente do Porto quer transferir essa estrutura para o Ninho do Gavião, que fica em uma chácara, a 7 km do centro de Caruaru, como forma de proteger os garotos, principalmente os de outras cidades, da sedução da noite.

ROTINA PESADA

Mas para quem pensa que ter um boa estrutura de trabalho significa moleza está enganado. A rotina diária do pessoal da base é pesada. Sete horas da manhã eles já estão de pé. Por volta das 8h, a movimentação já acontece no Ninho do Gavião. Após o almoço, nada de descanso. À tarde também é hora de suar a camisa e correr atrás da bola. E por fim, à noite, três a quatro horas de estudo. “É puxado, mas a gente sabe que é necessário”, comenta Renato de Oliveira, 17 anos, natural de Serra, no Espírito Santo.

CHUTE INICIAL
Gavião estende seus vôos até a capital do Paraná
Mas não é só Sport, Náutico e Santa Cruz que observam o Porto. O Atlético-PR, que tem um dos mais modernos Centros de Treinamentos do País, tem parceria firmada com o Gavião. Sete atletas do Porto já estão em Curitiba. O oitavo será o volante Rômulo, 17 anos, uma das revelações do último Campeonato Pernambucano. Na semana que vem, ele viaja para um período de avaliação no Furacão, comandado pelo técnico pernambucano Roberto Fernandes.
Pela observação ao Atlético-PR, o Porto pretende incorporar permanentemente o trabalho de dois profissionais: um nutricionista e um assistente social. Atualmente, quando é detectado que algum atleta precisa de um suplemento alimentar, o clube contrata os serviços de um profissional da área, que no entanto, não permanece como funcionário fixo.
“Como são atletas, esses garotos necessitam de uma ingestão maior de nutrientes, a fim de não ter uma perda imunológica. E fica mais fácil desenvolver um acompanhamento nutricional quando o jogador ainda está nas divisões de base do que quando ele já é profissional. Kássio, por exemplo, já teve um ganho atlético de 30% a 40%”, afirma a nutricionista do Sport, Flávia Carvalho. De acordo com ela, alimentos característicos da região, como inhame e macaxeira, são essenciais no cardápio dos atletas.
Outro ponto importante apontado pela nutricionista é o descanso, principalmente nas duas horas seguintes às atividades, período primordial para a recuperação física. Descanso, que não faz parte do vocabulário de Rian Alves, 16 anos. Três vezes por semana, após os treinos no juvenil do Fortaleza, que acontecem na parte da tarde, ele volta à escola onde estuda, em Fortaleza, para treinar futsal à noite. “Quero ser jogador, mas meu pai não deixou eu morar no clube e, como tinha três primos em Fortaleza, vim morar com eles e tentar a sorte, seja no campo ou na quadra”, diz Rian, natural de Icó, a 375 km da capital do Ceará.

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